Menina e Caipira

Fui menina e caipira como qualquer camponesa
E cresci junto às ribeiras ouvindo o murmurar dos rios
E as aves me espiavam entre os escombros, e os frescos arrepios
E os músicos estalos dos ventos estremeciam a natureza.

Os animais tranqüilos se alimentavam pelos prados
E as árvores floridas por entre os rosmaninhos
Como enchiam de aroma e cores os meus caminhos
E como caia em pó de ouro o sol sobre os roçados

À noite, vinha o luar aquecer os ninhos e os pupilos
E tecia frágeis rendas, frágeis dedos da quimera
Em altas horas silenciosas como sobre a Hera
As estrelinhas do céu cantavam como os grilos

Isso era um lugar de plantio e de corações matutos
Onde se plantava e colhia para o próprio sustento
A caneta ali era a enchada o único instrumento,
E as mãos calejadas tinham o cheiro da terra e dos frutos

Hoje, minha vida caminha por entre ruas e matizes
Onde me vejo caminhando num carnaval de agito e buzinas
Leva-me por essas selvas de pedras! Aprendi quando menina
A deixar me levar e a voltar às minhas raízes